Durante muito tempo, escrever conteúdo SEO era uma tarefa quase mecânica: definir uma palavra-chave principal e repeti-la várias vezes ao longo do texto com a expectativa de aparecer bem ranqueado nos resultados orgânicos.
Quando os algoritmos do Google não eram tão avançados e tratavam a busca como um jogo de correspondência, essa ação podia até “fazer sentido”. Só que hoje em dia, com tantas melhorias nos buscadores orgânicos, considerar apenas palavra exata, volume, variações e repetições on-page não funciona mais.
Mas, calma! Isso não significa que a pesquisa de palavras-chave não é mais relevante. Na verdade, ela continua sendo um dos pilares na construção de estratégias digitais.
O que mudou é a forma como esse trabalho é feito hoje em dia. Na busca atual, o que pesa mais é entender intenção, contexto, entidades, experiência real e utilidade da resposta.
Quer saber mais? Continue a leitura e entenda como fazer uma pesquisa de palavras-chave estratégica!
Pesquisa de palavras-chave: o que mudou na prática
Vamos começar com um exemplo: lá em meados dos anos 2000 e bolinhas, quem queria ranquear para uma busca específica como “hotel em São Paulo” geralmente criava uma página repetindo essa expressão várias vezes em lugares diferentes. Há quem cometesse táticas de black hat, como pintar as palavras de branco para “camuflar” e ranquear melhor.
Até funcionava.
Diante disso, o Google lançou o Knowledge Graph como um passo importante para sair dessa lógica de “strings” (sequência de caracteres) e caminhar para uma lógica de “things” (coisas); ou seja, entidades, relações e contexto.
Em resumo, o Google foi de um motor de buscas “burro”, que apenas lia letras, para um sistema inteligente que entende conceitos. É por isso que a repetição excessiva de palavras-chave gerava “clareza” ao buscador.
Outros sistemas, como o RankBrain e o BERT nasceram com o mesmo propósito: garantir a correta interpretação e relacionamento de palavras e conceitos para retornar resultados relevantes – mesmo quando a página não contém os termos exatos usados na busca.
Essas melhorias deixaram o modelo de SEO dos anos 2000 para trás. Se antes uma empresa de reserva de hospedagens precisava parecer obcecada pelo termo exato “hotel em São Paulo” e variações, como “hospedagem barata em São Paulo” e “hotel barato em São Paulo”, hoje o Google consegue entender que um conteúdo completo sobre o tema (que inclua informações como localização, faixa de preço e imagens) pode ser altamente relevante para alguém que pesquisou de forma mais específica.
Isso acontece porque a busca não olha apenas para a repetição do termo; ela tenta entender a necessidade real por trás da pesquisa.
Em orientações oficiais, John Mueller, do Google já reforçou que a densidade de palavras-chave não importa: não é necessário citar todas as variações existentes de um termo para que o buscador entenda o tema da página.
A forma de pesquisar também mudou
Além do avanço nos algoritmos, o crescimento do uso das ferramentas generativas para pesquisa também afeta a maneira como elaboramos estratégias de conteúdo e SEO hoje em dia.
Segundo o próprio Google, os recursos de IA fazem as pessoas pesquisarem mais e de forma mais complexa. As pessoas estão fazendo perguntas novas e específicas que um mero levantamento de palavras-chave não consegue cobrir completamente.
Em uma publicação oficial, o Google resumiu essa transformação de forma bastante clara: “The days of carefully picking our keywords to search are behind us”, explicando que agora as pessoas pesquisam falando naturalmente, com imagens e até circulando elementos do que veem na tela.
Pense em dois exemplos:
- Há alguns anos, alguém poderia pesquisar “melhor celular barato”. Hoje, essa mesma pessoa pode buscar algo como “qual celular vale a pena até 1500 reais para tirar fotos boas e jogar sem travar?”.
- Em outro caso, em vez de digitar apenas “cadeira de escritório”, o usuário pode tirar uma foto e perguntar onde comprar uma parecida perto dele.
Quando a busca se torna mais natural, visual e contextual, o trabalho de SEO deixa de ser somente “encontrar a keyword certa” e passa a ser “entender a necessidade certa”.
Então a pesquisa de palavras-chave morreu?
Não. O que morreu foi a versão simplista dela. A pesquisa de palavras-chave hoje em dia não se resume apenas à busca por termos com alto volume, mas à investigação sobre a demanda do público e a sua intenção.
O sucesso de uma estratégia de conteúdo e SEO está diretamente relacionado ao entendimento sobre o público e o seu negócio em si. É necessário entender como o público formula seus problemas, quais dúvidas são mais frequentes no seu mercado e que tipo de conteúdo eles esperam encontrar em cada etapa da jornada de decisão.
Vamos supor que alguém esteja pesquisando por “brinquedos para gatos”:
Se ficássemos na lógica antiga das “strings”, criaríamos uma página repetindo esse termo várias vezes, do cabeçalho ao footer. Mas, ao investigar a intenção e os tópicos que orbitam essa busca, descobrimos universos diferentes:
- O dono de um gato filhote pode estar digitando “brinquedos para gatos”, mas sua real dúvida é: “como gastar a energia do meu gato para ele não destruir o sofá?”. Ele espera encontrar brinquedos de perseguição e dicas de comportamento.
- O dono de um gato idoso ou obeso pode usar a mesma busca, mas sua dor é: “como incentivar meu gato a se exercitar?”. Ele busca por brinquedos interativos com petiscos ou torres de escalada acessíveis.
- Quem busca por “brinquedo para gato caseiro” não quer comprar nada; quer um tutorial de faça você mesmo (DIY) com materiais reciclados.
Percebe a diferença? A palavra-chave “brinquedos para gatos” é o ponto de partida da estratégia. Para um conteúdo ranquear bem, é preciso entender qual jornada está por trás dessa busca.
Comece a pensar assim: qual necessidade real existe por trás desse grupo de buscas?
Então, como fazer pesquisa de palavras-chave?

Fazer pesquisa de palavras-chave atualmente é mais parecido com uma pesquisa de mercado do que com uma lista de compras. O objetivo não é apenas achar palavras, mas entender o que as pessoas querem resolver. Vamos a um passo a passo simples considerando outro exemplo: fazer um bolo de aniversário.
Passo 1: troque a “palavra” por um “tema”
Vamos supor que você tenha um e-commerce especializado em confeitaria e quer criar um conteúdo sobre como fazer bolo de aniversário estilo naked cake.
Não vá ao SemRush ou a outra ferramenta de SEO ainda. Primeiro, considere seu público e pense o seguinte:
- O que eu preciso abordar nesse artigo para que seja completo para a minha persona?
A partir daí, siga para o mapeamento do porquê.
Passo 2: mapeie a intenção de busca
Como é especialista na sua área, você já tem uma ideia do que escrever. Mas, ainda não é a hora.
Questione-se: o que a pessoa realmente quer saber quando digita isso no Google?
Alguém que busca “bolo de aniversário”, por exemplo, pode estar em momentos diferentes:
- Quer aprender? Busca por receitas e passo a passo
- Quer comprar? Busca por confeitarias e preços
- Quer inspiração? Busca por fotos e ideias de decoração
Minha recomendação é a seguinte: use o próprio Google para te apoiar na escrita.
Passo 3: analise os resultados do Google
Abra o Google, digite o termo que você quer usar e observe o que aparece primeiro.
- Se as AI Overviews aparecem, leia e compreenda o que está sendo dito. O resumo envolve as principais dúvidas e dúvidas subsequentes que o usuário pode ter;
- analise se há imagens ou vídeos nos resultados;
- verifique se o Google retorna resultados de redes sociais;
- leia as perguntas do People Also Ask, se ele for acionado;
- identifique se há outros resultados ricos, como mapas.
Isso revela o formato que você deve criar e o que incluir no seu conteúdo melhor do que qualquer ferramenta paga de SEO.
A partir daqui você tem uma boa base para escrever – ou até criar um vídeo.
Passo 4: organize pela “jornada do cliente”
O legal dessa estratégia é que você consegue ampliá-la para uma rede de conteúdos relevantes para sua persona.
As pessoas pesquisam de formas diferentes dependendo de quão decididas estão. Use isso para organizar seus temas. Por exemplo:
- Na fase de descoberta: “O que é naked cake? Conheça a tendência que vai aumentar as vendas da sua confeitaria em 2026”
- Comparação: “Naked cake de chocolate ou de baunilha: qual o favorito dos brasileiros”
- Decisão: “Onde comprar os melhores ingredientes para fazer um naked cake?”
Olha só quantas ideias a partir de uma análise simples. E você nem precisou de SemRush para isso.
Lembre-se do seguinte: o Google não quer apenas entregar uma resposta; ele quer entregar a resposta de quem realmente entende do assunto. Imagine que você tem um problema de saúde: você prefere ouvir um conselho de um clínico geral ou de um especialista naquela área? O Google pensa igual.
Se o seu site aborda o tema “naked cake” em profundidade, falando sobre massa, recheio, decoração e complementos,, o algoritmo entende que você é uma autoridade no nicho.
Por isso, não se limite a “pescar” palavras soltas. Tente responder a todas as dúvidas que o seu usuário possa ter. Quanto mais você aprofunda o tema, mais o Google confia em mostrar o seu site no topo.
Passo 5: transforme suas ideias em conteúdos imbatíveis
Agora que você já sabe o que o público busca, é hora de produzir. O segredo aqui é a profundidade: quanto mais você esmiuçar os resultados que já existem no Google e o que seus concorrentes estão fazendo, mais fácil será criar algo que seja realmente superior.
Você pode (e deve) usar a inteligência artificial como sua assistente de criação para acelerar processos. Ela é excelente para:
- ajudar a entender a intenção de busca em contextos complexos;
- montar roteiros para vídeos ou o “esqueleto” (briefing) do seu texto;
- sugerir títulos que chamem a atenção, entre várias outras ações.
Mas atenção ao toque humano: o Google não penaliza conteúdos gerados por IA, mas ele prioriza o que chamamos de E-E-A-T (Experiência, Expertise, Autoridade e Confiança).
A IA pode escrever o texto, mas só você pode dar o “tom de voz” da sua marca, trazer exemplos reais que você viveu e garantir que a informação é 100% segura.
Use a tecnologia para ganhar velocidade, mas use seu cérebro para garantir a qualidade e a verdade do conteúdo.
E como incorporar essa nova pesquisa de palavras-chave na minha estratégia hoje?
A principal recomendação é educar quem está ao seu redor – seja parcerias de trabalho ou seu cliente. Essa “nova” maneira de fazer SEO exige uma mentalidade mais estratégica que vai além do operacional. É difícil (eu sei por experiência própria), mas diálogo contínuo, dados e testes serão seus parceiros nesse momento.
Foque na análise do comportamento do usuário e no mapeamento da intenção de busca, questionando-se durante todo o trabalho “quais são as reais necessidades dos meus clientes e como meu conteúdo pode atendê-las de forma completa?”.
Em resumo:
- defina um tema central para atacar;
- analise e atente-se à intenção de busca;
- concentre-se no contexto e nas necessidades reais do seu público;
- analise tendências e a própria SERP do Google para fisgar oportunidades;
- considere a jornada do cliente;
- certifique-se de que o conteúdo cobre o tema de forma completa;
- aposte na produção multicanal (pense em como seu conteúdo pode ser distribuído em vídeos, infográficos, redes sociais…)
- revise regularmente a estratégia.
O SEO não é estático. Acompanhe o desempenho do conteúdo de perto para avaliar o que está gerando tráfego e conversões.
Comece a entender seu público para ir além
Podemos dizer que a pesquisa de palavras-chave hoje em dia se resume a entender profundamente o ser humano que está buscando pelo que você oferece. Considerando que as pessoas estão buscando de formas cada vez mais complexas, ficar encanado em uma lista de palavras-chave fixas não vai te levar a lugar nenhum.
O segredo para ser referenciado na era das IAs é ser a autoridade que o algoritmo procura.
Quando você para de perseguir palavras soltas e começa a responder às dores reais da sua persona em cada etapa da jornada, sua marca deixará de ser apenas mais um resultado na busca para se tornar a solução de confiança.
Torne-se a resposta que o seu usuário merece ler.
💡Conteúdo assinado por Carol Helfstein, clique aqui para conhecer mais dos seus projetos e atuação ou acesse seu site: https://conexaorioessepe.com.br/



